Entrevistas, leia literatura nacional

Entrevista com o autor José Beffa

Olá, aventureiros!

A entrevista de hoje é com José Beffa, autor do livro Dissidentes: Golpe de Estado (confira a resenha aqui).

1-     Apresente-se para os leitores do Aventuras 😄

Olá, leitores e leitoras do Aventuras! Meu nome é José Beffa e eu sou escritor e advogado. Puxa, é tão difícil falar sobre mim. Bem, meu principal hobby é ler e eu também amo contar histórias. Amo super-heróis, suspenses, aventuras e todo tipo de história que me faça prender os olhos nas páginas dos livros e não querer soltá-los mais. Acho que o que mais valorizo em mim mesmo é poder fazer com que outra pessoa se sinta impactada por algo que escrevi. Isso é o maior prêmio que eu poderia receber e acho que resume bem quem eu sou.

2-     Dissidentes é um livro e tanto! O que te inspirou a escrever esta história?

Eu quis escrever a história de Dissidentes: Golpe de Estado por vários motivos. O primeiro deles foi querer criar uma aventura que tirasse o fôlego de quem fosse ler. Uma aventura com super-heróis brasileiros e que abordasse a nossa cultura, nossa mitologia. Porém, mais que isso, me inspirei no dia a dia do nosso país, nos nossos problemas. Dissidentes é nada mais que um reflexo do que se passa no Brasil. E se as pessoas tivessem poderes especiais? Nossa democracia, frágil como é, seria ameaçada de outras formas. E, se o Brasil tem um problema histórico, é, sem dúvidas, os inúmeros governos ditatoriais que assumiram o controle do país e os ataques à nossa democracia. Então, o que me inspirou a escrever Dissidentes? Foi a vontade de criar uma história de aventura, uma literatura de entretenimento, mas que se pautasse também na nossa realidade. Nos problemas brasileiros.

3-     O livro tem muito de magia e universo da fantasia. Podemos dizer que você inseriu também traços mitológicos para a obra?

Com certeza. Apesar de o universo ter sido criado por mim, alguns dos elementos eu tirei diretamente da mitologia e do folclore brasileiro e, outros, adaptei. Tupã, Angra e Jaci, são entidades da cultura indígena brasileira. É claro que eu peguei elementos de várias culturas de diversas tribos indígenas que vivem ou já viveram no Brasil, mas está tudo lá. Forcei-me a buscar a inspiração que precisava no nosso folclore, adaptando-o quando necessário, mas homenageando-o a maior parte do tempo. A Senhora da Seca, por exemplo, é uma personagem inspirada na Cuca. Há outras figuras também como Sihan, que é um curupira. Então, apesar de ter criado muita coisa do universo fantástico do livro, eu me baseei na nossa mitologia, no nosso folclore para ambientar o mundo.

4-     Quem nos conta a história são os personagens. Com qual dos narradores você mais se identifica? Por quê?

Essa é uma pergunta difícil. Criá-los independentes e depois juntá-los foi um artifício necessário para mostrar mais aspectos do mundo de Dissidentes e também dar uma maior diversidade à obra. Mas, respondendo à pergunta, talvez com o Raposa. Nos primeiros rascunhos de Dissidentes, haveria um único protagonista: o Raposa. A história seria contada em primeira pessoa e a conheceríamos apenas por sua voz. Porém, eu notei que para expandir o mundo e trazer mais diversidade à trama, precisava mudar isso. Aí surgiram o André e Áshia. Dois personagens que vinham de lugares completamente diferentes e que traziam sua própria bagagem mitológica, dando mais voz àquele mundo.

5-     Um dos pontos que mais gostei em Dissidentes foi a ideia de trazer questões político-sociais para a obra. Como surgiu essa ideia?

Bem, eu sempre digo que o maior motivo de querer contar uma história é pelo efeito que ela possa causar em quem a lê. E são vários os efeitos, é claro. O primeiro deles é a sensação de estar em um trem em movimento, tão rápido que seu coração bate acelerado e você sente a adrenalina percorrer seu corpo, como num grande filme de ação. Eu sempre quis colocar isso em Dissidentes. Porém, aí entra a segunda camada do efeito. Para que colocar o leitor em um trem em movimento e acelerar seu coração se isso vai ser a única coisa que ele poderá sentir? Nós vivemos no Brasil, e sabemos que nosso país enfrenta uma série de problemas desde sua colonização. O racismo, os governos opressores, a falta de direitos civis, a homofobia, a crescente disseminação do ódio por grupos radicais. Tudo isso é nossa realidade. O que fazer com o leitor que está cheio de adrenalina do trem em movimento? Jogar tudo isso no colo dele. No subtexto, escondido, mas está lá. Esse é o segundo efeito que eu queria atingir com o livro. A segunda camada, como um comprimido azedo que você toma com um delicioso copo de coca-cola. Você saboreia mais a coca, mas é o comprimido que vai te fazer sarar da febre no final das contas.

6-     Você se inspirou em algum contexto histórico/político do Brasil para escrever Dissidentes?

Eu comecei a escrever Dissidentes: Golpe de Estado em 2016. A crise política do Brasil me fez parar para pensar em quão frágil nossa democracia era pós governo militar. Se eu tinha certeza de que nunca passaríamos por um período ditatorial novamente antes de 2016, hoje em dia não tenho tanta certeza. Aliás, não duvido que seja o povo mesmo que peça por isso. Nossa democracia e nossa liberdade são delicadas. Estão sendo ameaçadas a todo instante. Uma das formas de resistir? Fazendo arte. A arte perdura qualquer repressão e temos exemplos claros disso. Admirável Mundo Novo, 1984, O Conto da Aia, dá para fazer uma lista. Em Dissidentes: Golpe de Estado eu escrevi uma fantasia que se passa em nosso país mas que não é tão distante da realidade assim. Basta ver o que já ocorreu em 64 e flerta conosco novamente.

7-     O que o leitor pode esperar de Dissidentes?

Dissidentes: Golpe de Estado é uma história que tem começo, meio e fim. É o primeiro de sua trilogia, mas aquele conflito escrito na sinopse encontra seu desfecho. Então nada de se preocupar com cliffhangers pois eles não existem nesse primeiro volume. Então, eu diria para o leitor esperar uma alegoria à nossa realidade. Dissidentes é uma história que eu dividi em três partes, e, cada uma, contará, em forma de metáfora, os problemas da democracia brasileira. Golpe de Estado foi o primeiro, o próximo está por vir. Ah, e nossos heróis voltarão. Com mais aventura, ação e um trem bem mais rápido acelerando ainda mais o coração do leitor e levando sua adrenalina às nuvens.

Confira também a resenha no canal:

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